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A vida de Mala Aviada

A vida de Mala Aviada

dovaziocomamor

Nos inícios de anos, que são tão recorrentes como as rugas no canto dos olhos, ficamos sempre de um dos lados: seja o positivo seja o negativo. Nunca é o do meio. Porque o meio nunca existe: ou o ano foi bom, ou foi mau. Quem fica no meio somos nós a pensar se é um ou o outro. E nessa longura, nesse tempo intercalar enquanto a ruga nasce ou não, relembramos os momentos, as glórias ou insucessos, os beijos, os abraços, os amantes, as amantes, as palavras taciturnas, as palavras amarguradas no seu próprio desdém e o benefício da dúvida. Relembramos sempre o benefício da dúvida porque no final de contas, enquanto a ruga nasce e não nasce, é ele que nos leva às escolhas do ano passado, é ele que nos dá a conhecer um caminho e não outro porque escolhemos sempre acreditar que há mais para além daquilo que nos é dado. 

 

E é assim no final de ano, em que mais uma ruga se presta a nascer no canto do olho - e tanto faz que seja de um lado ou do outro, ou até que seja dos dois! - que damos o devido valor ao benefício da dúvida e que lhe prometemos dar um certo descanso para o resto do ano. Mas não, isso nunca acontece. Seja pela nossa insistência em tentar ser sempre melhores ou piores, precisamos sempre dele ao longo do caminho.