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A vida de Mala Aviada

A vida de Mala Aviada

Vírgulas de desejos. Rita, stop moving.

Would you stop moving? Would you?

Podias para de te mover pelo mundo, Rita.

Porquê? Porque preciso de ti, ora essa.

Rita? Pára! Pára agora de circundar, pára e fica aqui. Olha para as gotas de água que caem do céu cinzento negro. Não são bonitas?

Hoje aprendi, Rita. Aprendi que se estiver com muita vontade de fazer quaqluer coisa devo fazê-la, mas se não estiver, então, pelo contrário, devo manter-me afastada. Sabes porquê Rita? Deixa-me frustrada. E tu sabes bem como fico quando me irrito. Sabes ainda, não sabes? Tu lembras-te Rita? Aqueles ataques de stress que me davam e depois me empurravam para o calor e conforto do teu abraço? Eram esses. Agora, Rita, são piores. Entro em pânico e sinto-me à beira do abismo: em parte a culpa é tua. Não que queira atirar-te as culpas para cima - longe de mim culpabilizar-te por isto!- porque sei que é a palavra que nos separa. Mas fico assim porque não páras de te mexer, Rita.

Estou há mais de 24h no mesmo sítio, sem fazer movimentos bruscos e sem pisar linhas imaginárias limtadoras de campos coloridos mas perigosos: como uma pintura fauvista  ou expressionista de um primiero grupo alemão e ainda espero por ti. Ouço a tua voz em repetição constante em mim, mas não te vejo: é como se estivessemos a brincar a um jogo às escuras onde também não posso usar as mãos. Mas eu não pedi para jogar este jogo, Rita! Eu não queria e tu também não.

Não pois não? Como quando dizes não para não te reencherem o prato de comida. Ou não quando cruzas os braços e bates o pé. Ainda bates o pé, Rita?

Disseste que sim, que sim. Esta semana podemos aproveitar o desconto que temos para nós próprias e comprar o nosso mimo. Vamos não vamos? Eu juro que te dou chocolate Milka e pão de cereais; até te faço o pequeno almoço de regresso a casa com Muffin de frutos silvetres. Deixo-te enrolares o Jerónimo no teu corpo e terme-ás por ali, á tua volta com beijinhos e xi's do tamanho ... dos meus braços. Mas Rita, preciso que voltes para poder fazê-lo. Preciso que voltes para não me sentir só, para não me sentir à deriva num quadro que não gosto.

Sabes, o Rothko pintava de maneira a que o espectador se sentisse parte da sua pintura colorida. Preciso que me faças sentir parte da pintura. Não só o pincel, também a pincelada. Porque no final de contas, Rita, a pintura e o amor não devem ser como o McDonalds. Quando voltas, Rita? Would you stop moving?

 

 

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