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A vida de Mala Aviada

A vida de Mala Aviada

...#3 - facts.

Dexei-te e caminhei rua abaixo, rua acima. Os autocarros passavam por mim, levavam as folhas com eles, nas rodas. Era o único ruído da cidade naquela manhã.

O Inverno chegou, ando apressada de gorro, luvas e cachecol: é impossível não sentir falta disto.

O crescente vazio instala-se em mim, a caminhada vai ser longa e a viagem demorada: porque não posso instalar-me junto do teu ombro? Instalar-me no calor do teu abraço e não sair. Instalar-me no conforto das tuas palavras, no som do teu riso, na luminosidade do teu olhar.

Apanho o comboio, e sigo para a frente. O dia começa e acaba aqui. Passo por campos verdes acompanhadas de um sol enganador: não tarda começará a chover.

 

Regresso a casa sem motivos para regressar: onde estás tu ao fim do dia? Onde está o pijama quente e o beijo do dia? Sinto que foi um erro ter-me voltado imediatamente para sair, longe de ti e de todos: já sinto que é a minha casa, sei que é o meu espaço e ninguém mo pode tirar: mas falta toda uma história. Como a nossa. Como a cama em Gal, na qual dormimos pela primeira vez, como como a mesa do café do costume onde penduramos a imaginação nas janelas. Falta o background que construimos sempre que estamos juntas e isso dá-me vontade de desistir e ir embora - mas não posso. Os trabalhos acomulam-se de semana para semana, já não sei como me orientar e sinto que a força esmorece. Torna-se escassa. E isso cansa. Cansa voltar sem saber onde te encontarei da próxima vez: aqui, em casa, na outra ponta da cidade do plano B.

 

Sentirei falta todos os dias e mais um do teu abraço ao início da noite, do teu riso e das palavras. E não sei, não sei... Não sei: 3 anos? Hm. Hm. Mas é interessante ver que, à medida que avançamos, tudo se torna mais duro: é bom sinal - afinal gostamos mais uma da outra do que o que podemos pensar! @