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A vida de Mala Aviada

A vida de Mala Aviada

dovaziocomamor #7

Houve aquele tempo. Aquele tempo em que tudo era silêncio. E tudo o que vinha a mais eram um estorvo. Eu e o silêncio, nada mais. Talvez os meus pés contra a erva fresca, o pequeno silêncio entre os meus pés e a erva fresca. Este era o tempo, eu sabia-o. Sabia que o silêncio e o tempo nunca mais se repetiriam dessa forma, dessa forma corajosa e imponente. Senti-me nua e ao mesmo tempo vestida, o silêncio abraçou-me de tal forma que me senti crua, nua, despida, sem palavras. Isto, isto foi tudo o silêncio, naquele tempo. E agora resta-me recordá-lo e saber que nunca mais voltará porque ele não é cíclico: acontece-nos uma vez - a quem tem essa sorte. E esse silêncio despiu-me e nunca me senti tão liberta de mim mesma ali, naquele tempo, naquele vasto tempo de silêncio com a erva debaixo dos meus pés nus.