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A vida de Mala Aviada

A vida de Mala Aviada

Foi só hoje e já estou farta.

Sinto a dor crónica de coração, puxa-me para baixo com tal força que me sinto quase uma desalojada no meu próprio corpo. Fins de dias como este deveriam sempre chegar mais cedo, muito mais cedo. O meu cérebro está embrulhado em película aderente de maneira a não dizer coisas inteligentes nestes dias - é que parece, segundo a experiência, que ando a estudar e a ficar mais estúpida; não sei para que gastarei balúrdios em faculdades e outros. Detesto perguntas, tenho ainda mais medo das respostas e o silêncio, esse, ainda fica de meias comigo. As meias estão húmidas, os sapatos num canto chato e repleto de roupa, há mais roupa sobre a cama: nem as camisolas novas me alegram. Parece um filme europeu onde as cenas contínuas se repetem e repetem e repetem. Porque como é crónico, já cá estive. Várias e variadas vezes. Humildemente encolho-me - ou será de forma submissa? - e refugiu-me em pensamentos, sentimentos, ideias... Continuo é o desespero que sinto, é a vontade de me desarmar e cair derrotada no chão, deitada sobre a relva ali do campo, perto das flores amarelas. Depois a Shane Jr. chega, mia, roça-se e diz-me: vai para o c****** que a minha vida é bem pior que a tua, estou prenha outra vez. Sim, já sei. Dou-lhe mimos e penso nisso. O que há de mau com a minha vida? O problema insolúvel do que haverá amanhã?

 

Ao mesmo tempo que penso nisso, vem o meu cachorro dizer-me que a alegria está em todo o lado, que não devia preocupar-me. Alguém me tire as preocupações dos braços e me devolva os sorrisos e gargalhadas. Foi só hoje e já estou farta. Mas queria a casa só para mim, o campo só para mim, a guitarra, os calções, a rede no jardim. Queria que a túlipa se abrisse só para mim, desta vez.

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