Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

A vida de Mala Aviada

A vida de Mala Aviada

when i look up #158

Há coisas que eu não consigo compreender neste mundo moderno que é ser mãe. Ser mãe para mim é alguém que ama e que educa, antes de ser amiga é educadora; põe-nos no sítio só com um olhar, com um gesto ou um agudo mais alto na voz. Enquanto crianças não conseguimos deixar de as amar menos por isso porque temos, literalmente, uma memória de peixe. A meu ver, sacudir o pó da traseira com duas nalgadas ou dar um sapatão na mão não só é necessário como útil para se educar uma criança que do alto dos seus três anos acha que é o rei ali da praça.

Posto isto, mãe que é mãe ama e sofre; para ela não deve ser fácil dar uma sapatada na mão da criança que gerou dentro de si durante meses. Mas para seu bem, deve sempre lembrar-se que se não lha der até aos 5 anos, depois, já vai ser muito tarde e tanto ela como a sociedade vão pagar caro por isso. 

Alguém aqui se lembra de levar com o chinelo antes de ter 5 anos? Ou de uma palmada? Ou de um estalo por ter sido insolente? Não deve haver muitos. E se levaram, a bem entender, é porque no momento precisaram. 

Bom, mas a par da educação mansa que agora é por uma criança de castigo no sofá com a tv ligada (wow, que conveniente!) a outra coisa que me assola e me transtorna é a mãe e o pai quererem continuar a ter vida de solteiros quando têm uma criança! Atenção, adoro fazer babysitting desde que o motivo o justifique: trabalho, visitas ao médico, compromisso onde não deixam entrar crianças, quiçá, um jantar anual de amigos! Não me importo nada. Agora, que me peçam para ser babysitter porque querem ir a uma festa xpto um fds inteiro... Não me parece justo. Nem para mim, nem para a criança.

A escolha de ter um filho acarreta muitas coisas: responsabilidade, entrega e paciência. É um compromisso para a vida. Não fui eu que vos mandei reproduzir, a bem ser terá sido a Bíblia e ao mesmo tempo Darwin. Ou naquilo que acreditarem!

E assim, esse acarretar de muitas coisas também exige o compromisso perante a pequena criatura de não o deixar excluído. Avós que têm que ficar com os netos (de 2, 3 e 4 anos) uma semana inteirinha porque os papás querem ir uma semaninha para o Algarve sozinhos, tipo lua-de-mel nº2? Não, isso comigo não cola. Até aos 5 anos o compromisso é dos pais, só e exclusivamente. Depois disso, a criança já tem apetência suficiente para comer, brincar e dormir em casa dos avós, das tias, dos primos... O que quiserem. Mas até lá poupem-me ao sermão.

Sou um bocado drástica nestes assuntos. Bem sei que os pais merecem uma pausa. Pois bem, os meus e os de muita boa gente nunca tiveram essas pausas merecidas. Algum dia ocorreu à minha mãe deixar-me com alguém para ir com o meu pai passear e ir a uma festa? Eu ia à festa e pronto, quando adormecesse, estava na hora de ir para casa. E ia passear, e acampei todos os fins-de-semana durante os verões em que cresci, sempre fui aos jantares, às festas de passagem de ano... Nunca me deixaram para trás. E agradeço-lhes sempre ter sido uma prioridade.  

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.